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quarta-feira, 25 de abril de 2012 Educação | 19:46

Ministro Joaquim Barbosa é usado como exemplo “negro” em julgamento de cotas

Wilson Lima, iG Brasília

Durante as sustentações orais do julgamento sobre a validade do regime de cotas raciais, o vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, foi usado como exemplo da igual capacidade entre negros e brancos. A citação em duas falas em defesa do regime de cotas deixou o ministro claramente desconfortável.

O primeiro a citar o ministro foi o defensor público Haman Tabosa de Moraes e Cordova. O outro que utilizou o ministro para ilustrar a sua sustentação oral foi o advogado Édio Silva Júnior, representante da ONG Conectas Direitos Humanos. “O programa de ações afirmativas hoje é praticado por uma centena de instituições de ensino superior, além da minha faculdade, são 100 instituições que adotam cotas. Qual é o resultado concreto, palpável? Os jovens que entram pelo sistema de cotas tem rigorosamente o mesmo rendimento dos que entram pelo sistema universal”, disse Júnior.

Em seguida, ele lembrou. “Teremos o orgulho de ter um ministro Joaquim Barbosa como um dos melhores”.

As referências ao ministro Joaquim Barbosa como um “exemplo negro” dentro do próprio Supremo ocorrem uma semana após uma troca de acusações entre o atual vice-presidente da Corte e o ex-presidente Cézar Peluso. Peluso classificou Barbosa como inseguro e o atual vice-presidente chamou indiretamente o ex-presidente de racista em entrevista ao jornal O Globo de sexta-feira da semana passada.

A expectativa é que os ministros confirmem a validade do sistema de cotas. O parecer da vice-procuradora-geral, Déborah Duprat, foi pela improcedência da ação contra as cotas. “É preciso analisar de coração aberto porque as ações afirmativas provocam tanto desassossego. É preciso se desconstruir algumas convicções. A primeira dela é em relação à miscigenação como se fosse um processo natural. O mito da democracia racial precisa ser descontruído”, disse a vice-procuradora-geral.

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