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sábado, 9 de junho de 2012 Ao Vivo | 19:47

Cronista apaixonado pelo cinema

Thomas Pappon, BBC Brasil

Ivan Lessa morre aos 77 - Fernando Cavalcanti / BBC Brasil

Ivan Lessa certamente será lembrado como a principal cabeça pensante dos tempos áureos do Pasquim e pelo seu texto refinado e ácido – muitas vezes aberto a interpretações distintas, mas que rendeu-lhe a fama de um dos grandes escritores brasileiros.

Oscar Pilagallo: Em Londres com Ivan Lessa

Ele reverenciava as regras da arte de escrever, que dominava. Entregava sua coluna religiosamente um dia antes da publicação prevista; erros de gramática e regência ou colocações sem sentido, não os havia.

Leia a última coluna de Ivan Lessa: “Orlando Porto”

Se via como cronista, um comentador de fatos pescados de jornais e noticiários, na tradição de Paulo Mendes Campos, Sérgio Porto, Rubem Braga e Fernando Sabino.

“Não sou jornalista”, dizia, enfático, na cantina da BBC – onde confraternizava com os colegas de trabalho, nos três dias da semana em que vinha para Bush House, antiga sede do Serviço Mundial.

Mas falava com muito orgulho de seu – talvez – único trabalho com o “repórter” da BBC Brasil: de quando entrevistou, em Londres, o ícone do jazz Billy Eckstine.

Leia também: Ivan Lessa: O carioca londrino

Ivan Lessa amava Eckstine. E amava Frank Sinatra, Dick Haymes, Frankie Laine, Sammy Davis Jr., Joe Mooney e um monte de crooners obscuros que conheceu nos anos 40 e 50, junto com a rapaziada que co-frequentava as Lojas Murray, no Rio, e que tramou a Bossa Nova – entre eles Joao Gilberto, que, em 2000, quando veio a Londres para um show no Barbican, ficou mais de uma hora no telefone com Ivan, trocado conversa fiada e cantando sambas antigos.

Maior que o amor pela música, só o amor pelo cinema. Ivan sabia tudo da Hollywood dos anos 40 e 50, e nutria um orgulho especial por ter conhecido atores e roteiristas americanos no Rio de Janeiro ou mesmo nos EUA, apresentados pelo seu pai, o escritor Orígenes Lessa, que trabalhou anos como uma espécie de lobista cultural fazendo um meio campo entre EUA e Brasil.

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Ivan detestava o cinema brasileiro, que considerava amador, mas gostava de falar do ator José Lewgoy, seu grande amigo, e não escondia o orgulho de estar listado no IMBD como “actor“ ligado a filmes brasileiros.

Nos anos 50, Ivan foi ator mirim em dois ou três filmes, entre eles “Maior Que o Ódio” – em que contracena com Agnaldo Rayol -, dirigido por Jose Carlos Burle, estrelado por Anselmo Duarte.

Nos quase 15 anos em que convivi com o Ivan, raramente vi ele tão feliz como quando ele soube que suas cenas em “Maior Que o Ódio” tinham sido colocadas no YouTube.

Veja a lista de colunas da BBC Brasil escritas por Ivan Lessa e publicadas no iG

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